Boa noite..
A resenha de hoje é sobre o livro “TV Digital no Brasil: Tecnologia versus Política”, de Renato Cruz. Aliás, livro não, obra prima.

Vou escrever o texto que está atrás do livro e resume bem do que ele trata:
Televisão no celular. Televisão pela linha telefônica. Pela Internet. Pela tomada de energia elétrica. Pela rede sem fio WiMax. No iPod. No computador. No carro, no trem, no barco e no metrô. Por todas as redes, em qualquer lugar e em todos os dispositivos. Não é o sonho de milhões de espectadores? Talvez. Para muitas emissoras, no entando, a chamada convergência parece mais uma ameaça. Em um cenário com operadoras e empresas de internet distribuindo vídeo, as empresas de TV temem perder o contato com o público, pois já não tem oque vender para quem anunciar. Ficam, pois, sem sua principal fonte de receita.
Essa perspectiva, que tanto atormenta também as radiodifusoras, é o ponto de partida para entender a escolha do padrão japonês de TV Digital para operar no mercado brasileiro, em vez do europeu ou do norte-americano (que traziam mais vantagens econômicas ao país). Este livro descreve os capítulos dessa novela em “alta definição”, com detalhes dos bastidores de uma decisão que afetará o cotidiano da população que tem acesso à televisão.
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O livro me trouxe um conjunto rico de informações que não conhecia. É difícil falar de trechos em especial, porque a história toda está dentro de um contexto único. Mas não sabia que a escolha do padrão japonês foi mais político que técnico. Não sabia que a TV Digital no Brasil já podia ter começado em 2000, mas, principalmente pelo endividamento das grandes emissoras brasileiras o processo não aconteceu. Em 2002, os grupos nacionais de comunicação acumulavam uma dívida de 10 bilhões. Somente a Globo tinha débitos que ultrapassavam os 6 milhões de reais.
Cruz fala do embate entre as empresas de tele, como a telefônica, e as empresas de comunicação, como a Globo. As duas querem dominar a TV Digital brasileira porque ambas estão preocupadas com as mudanças que a internet vem causando. A TV está sendo substituída pelo YouTube por exemplo, e as ligações já podem ser feitas pelos Skype por exemplo.
O texto também fala de um ponto que eu nunca tinha pensado, o rádio digital. Sempre falamos da TV Digital, mas a digitalização do rádio pode trazer cenários interessantes: Dependendo do modelo do receptor de rádio, o aparelh tem a capacidade até de mostrar a capa do disco de que foi tirada a faixa, ou uma foto do artista. Mais.. Pelo rádio, um carro com sistema eletrônico de navegação pode receber informações sobre itinerários e obstáculos à frente, como aciendetes, congestionamentos e obras. As emissoras ganham espaço em seu canal para transmitir conteúdo de internet e outros tipos de informações para computadores e demais dispositivos eletrônicos.
Vocês sabiam que um dos maiores déficits na economia brasileira é na importação de semicondutores. Segundo Cruz, o governo banca a construção de uma unidade fabril em Porto Alegre, a primeira fábrica com o ciclo completo de produção de chips no país.
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Um dos pontos muito comentados no livro é a inclusão digital através da televisão, meta do governo brasileiro e que significaria um pioneirismo no mundo todo. Isso porque nos outros países o problema de inclusão foi resolvido de outras formas.
Alguns dados apresentados no livro impressionam: O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas ouviu 1.163 pequenas e microempresas no estado de São Paulo, entre setembro de 2002 e fevereiro de 2003, e descobriu que 46% delas não tinham internet e 16% dependiam de acesso fora da empresa.
Além disso, o livro me deixou impressionado, não sabia que a inclusão digital pode ter um afeto tão grande na exclusão social e no aumento da diferença social no mundo. Segundo Cruz, o professor Michel Dertouzos, em seu livro O que será, alertou que “deixado por sua própria conta, o Mercado de Informação aumentará a brecha entre países ricos e países pobres, e entre pessoas ricas e pobres”. Pois, enquanto aqueles com acesso aos recursos tecnológicos desfrutam de ganhos de produtividade, os países e as pessoas sem acesso não tem nem por onde começar. Isso acaba gerando um desequilibrio perverso, que tende ampliar a desigualdade.
Mais dados impressionantes: Uma pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em 2003 mostrou que somente 25% dos brasileiros com idade de 15 a 64 anos têm habilidades plenas de escrita e leitura. Oito por cento são analfabetos e 30% analfabetos funcionais.
Como a TV atinge 93% da população brasileira, pode mudar radicalmente este quadro.
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Resumindo: um dos melhores livros que eu já li.. recomendo em alto grau :).
Att.
Ricardo
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1 comentário
Outra grande questão política é a PL 29 que se enquadra na guerra de braços entre operadoras de Telecom e Emissoras de TV em torno deste tema.
Um dos pontos mais polêmicos é a definição de quem pode ou não pode atuar nas áreas de produção, programação, provedor e distribuição de conteúdos.
Abs
Junho 14th, 2010 às 14:01
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