Boa madrugada..
Hoje a resenha é sobre o livro “Guantánamo Boy“, de Anna Perera. Veja a imagem abaixo com a capa desta obra.

O livro realmente me impressionou e muito, só não emocionou mais porque já tinha lido um livro sobre este lugar horrendo chamado Guantánamo, o livro foi “Diário de Guantánamo“. Porém, esta obra conta a história de uma ótica diferente, misturando um romance em uma narrativa que pode ter acontecido com muitos prisioneiros afegãos, iraquianos, árabes, ou de qualquer outra nacionalidade, que estão trancados em celas minúsculas de forma injusta. Algumas passagens do livro são brilhantes, que realmente causam uma agonia e uma revolta impressionante no leitor. No meu caso, estava lendo o livro em uma concentração total, e começei imaginar se o personagem do livro (Khalid) fosse eu. Neste caso seria arrancado de minha noiva, da minha família, dos meus amigos e do meu trabalho, sem ter feito nada. Se não bastasse o fato de ter a liberdade roubada covardemente, seria espancado, humilhado, tratado como um animal, sem nenhum respeito pelos mínimos direitos humanos, realmente é revoltante.
Claro, é como o livro mesmo frisa, a culpa disso tudo que acontece em Guantánamo não pode ser repassada para todos os americanos, mas sim para alguns líderes do país. Esperamos que Obama cumpra suas promessas e acabe logo com a prisão que fica no território cubano. Voltando ao livro, na página 160 tem um trecho que marquei, em um momento onde o personagem é torturado com água, sendo afogado diversas vezes, ele lembra do que uma colega sua falou sobre esta prática:
- É um jeito estúpido de se descobrir seja lá oque for. Sempre que o meu irmão torce o meu braço para trás, nas costas, dói tanto que eu digo qualquer coisa que ele queira só para ele parar. Então, qual é o sentido de se torturar alguém? Conseguir mentiras? Aliás, a frase da contra-capa do livro é brilhante:
“Inocente até que se prove o contrário? Não em Guantánamo”.
O único ponto negativo do livro, na minha opinião, é a passagem em um ritmo rápido demais dos últimos acontecidos sobre o personagem Khalid, na parte final do livro. Achei que neste momento a autora não usou a descrição detalhada que usou no início e no meio do livro.
Mas, recomendo muito a leitura desse livro. Porém, se você não está em bom dia, não está muito feliz com a vida, não leia este livro. Sabem porque? Esta obra mostra até onde alguns seres humanos podem chegar, até onde a injustiça e a crueldade pode mergulhar. Especificamente no caso de Guantánamo, mesmo aqueles que saem da prisão depois de alguns anos, não conseguem viver em sociedade como antes, a tortura marca demais a alma de qualquer pessoa, assim como a solidão e o fato de estar privado de tudo que vc ama, sem ter feito absolutamente nada. Com certeza, Guantánamo possuem terroristas perigosos que devem ser mantidos presos (sem tortura), mas a grande queixa do mundo inteiro é: todos presos necessitam de um julgamento justo, para separar os maus das pessoas do bem que estão sendo tremendamente injustiçadas. Na contramão, as história tocantes podem mostrar a você como a vida é melhor do que você pensa, como simples coisas da vida podem ter um significado enorme, e, por fim, como podemos estar sendo duros demais com pessoas queridas..
Resumindo tudo.. recomendo a leitura :)..
Att.
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Este artigo foi publicado
em Sábado, Junho 27th, 2009 às 00:50 e está arquivado em Resenhas de Livros.
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