Boa tarde
A resenha de hoje é sobre um livro em quadrinhos chamado “Che: uma Biografia”, do autor Kim Yong-Hwe. Como está explícito, o livro conta uma história sucinta da vida de Ernesto Che Guevara, porém, a história é contada em quadrinhos. Eu iria fazer um resumo pessoal, mas encontrei uma resenha muito legal na internet.
O link da Uol é chamada “Che Guevara em quadrinhos: Obra omite aspectos da vida do guerrilheiro“. Quero separar uns momentos do texto que concordei em gênero, número e grau.
1) Na edição publicada pela Conrad, há um breve texto introdutório escrito pelo quadrinista coreano onde ele afirma que quanto às fontes de pesquisa para sua obra ele utilizou “quase todos os livros disponíveis sobre Che Guevara e a também a internet”. Provavelmente, essa declaração é um exagero, pois existem muitos livros sobre Che Guevara e a Revolução cubana e seria muito difícil alguém pesquisar todos ou quase todos.
O maior problema é que ele não diz quais livros e nem quais sites pesquisou. A historiografia sobre o assunto é vasta e abrange obras escritas por historiadores das mais diversas correntes (incluindo a marxista), o que inclui tanto simpatizantes quanto críticos do governo de Fidel Castro.
Entre os que produziram um retrato mais favorável do regime de Fidel estão o jornalista brasileiro Fernando Morais, autor de “A Ilha”, livro-reportagem sobre a Cuba pós-Revolução. Entre os que já expressaram opiniões desfavoráveis ao regime cubano estão o também brasileiro Paulo Roberto de Almeida, diplomata e doutor em Ciências Sociais, autor de um artigo intitulado “A História Não o Absolverá”, uma crítica à tolerância de grande parte dos intelectuais brasileiros ao governo ditatorial de Fidel.
A julgar pelo tom panfletário da história em quadrinhos, podemos concluir que o autor utilizou apenas fontes favoráveis ao guerrilheiro, a começar por testemunhos de amigos e parentes, pessoas que tinham ligações afetivas com Guevara e que, portanto, jamais poderiam descrevê-lo com mais objetividade e isenção.
Em vários momentos, a história em quadrinhos chega a lembrar uma hagiografia, isto é a biografia de algum santo católico, apesar do fato de que, como marxista, Guevara era declaradamente ateu.
2)”Che: uma Biografia” acerta ao mostrar que o guerrilheiro era um indivíduo com profundas convicções políticas, disposto a lutar pelos ideais em que acreditava. Se tais ideais valiam a pena, é uma outra discussão, cuja resposta pode variar conforme as opiniões ou simpatias políticas de cada leitor. A história em quadrinhos destaca alguns traços da personalidade de Che Guevara: seu carisma, sua capacidade de liderança.
A obra mostra ainda algumas das diversas facetas de Guevara: o filho atencioso, o guerrilheiro carismático, o pai carinhoso que escreve cartas para os filhos e também a do médico que prestava assistência aos necessitados, dentre os quais vítimas da hanseníase e até inimigos feridos.
No entanto, “Che: uma Biografia” omite outros aspectos da trajetória de Guevara. Não menciona que, obedecendo às ordens de Fidel Castro, Che Guevara foi o responsável pela execução de pelo menos duzentos condenados nos “tribunais revolucionários”. Essas execuções ocorreram na forma de fuzilamentos e teriam rendido a Guevara o apelido, na época, de “carnicerito”.
3)Outro aspecto omitido em “Che: uma Biografia” é o fato de que a atuação de Guevara no Ministério da Indústria e na presidência do Banco Nacional de Cuba foram desastrosas para a economia cubana. A passagem de Guevara por esses dois órgãos foi caracterizada pela desorganização e pelo improviso. Guevara demonstrou que não tinha para a administração pública o mesmo talento que tinha para manejar o fuzil.
4) A versão em quadrinhos lançada pela Conrad pode ser uma interessante (e divertida) introdução ao assunto Revolução Cubana, mas sua leitura deve ser complementada com a de obras historiográficas mais atualizadas, de preferência, confrontando as opiniões de diferentes autores.
O ponto 4 resume oque queria falar, ou seja, o livro é muito interessante para quem não conhece a revoluçãok cubana, mas, para quem quer ter um conhecimento maior e completo, o livro é insuficiente.
Att.
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