Bom dia..
Este livro de Luis Vernando Veríssimo mudou meu modo de pensar sobre as crônicas e fábulas, confesso que não era muito chegado neste tipo de literatura. Com histórias incrivelmente marcantes, com algumas idéias que você fala:
- Putz, é mesmo, como nunca pensei nisso.
Ainda, histórias engraçadas, histórias que tocam nos sentimentos mais íntimos, expondo algumas crueldades humanas e, em contrapartida, seu valor.
Achei este livro ótimo, apesar de ser curto, aproveitar cada palavra impressa nas folhas.
Teve alguns contos/fábulas ou crônicas que achei simplesmente geniais. Por exemplo, “Da Timidez”, traz o seguinte parágrafo:
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
Separei também alguns parágrafos de “ABC”:
Quando a gente aprende a ler, as letras, nos livros, são grandes. Nas cartilhas - pelo menos nas cartilhas do meu tempo - as letras eram enormes. Lá estava o A, como uma grande tenda. O B, com seu grande busto e sua barriga ainda maior. O C, sempre pronto a morder a letra seguinte. O D, com seu ár próspero de grão-senhor. Etc. Até o Z, que sempre me parecia estar olhando para trás. Talvez porque não se convencesse que era a última letra do alfabeto e quisesse certificar-se de que atrás não vinha mais nenhuma.
As letras eram grandes, claro, para que decorássemos a sua forma. Mas não precisavam ser tão grandes. Que eu me lembre, minha visão na época era perfeita. Os livros infantis eram impressos com letras graúdas e entrelinhas generosas. E as palavras eram curtas. Para não cansar a vista.
À medida que a gente ia crescendo, as letras iam diminuindo. E as palavras, aumentando. Quando não se tem mais uma visão de criança é que se começa, por exemplo, a ler jornal, com seus tipos miúdos e linhas apertadas que requerem uma visão de criança.
Quanto mais cansa nossa vista, mais exigem dela.
Simplesmente fantástico.
Outro conto que me impressionou foi “O Recital”, não vou transcrever nenhum parágrafo, porque a história toda impressionada pela criatividade do autor, que de um simples recital, cria uma série de acontecimentos surreais, acabando com uma manada de zebus invadindo o palco.
Bem, recomendo em alto grau a leitura desse pequeno livro, é diversão na certa.
Att.
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3 comentários
adoro os livros do erico verissimo acho que no dia dia ja temos muitas tristesas devemos levar tudo na base da comedia
Janeiro 16th, 2011 às 20:31
acho essa resenha muito curta falta alguns pontos para serem abordados.
Outubro 19th, 2011 às 13:10
Raysna..
Se quiser complementar, por favor, fique a vontade.
Att.
Ricardo Ogliari
Outubro 19th, 2011 às 13:13
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