Bom dia..
Nos dias 23 e 24 de Julho participei do evento “Mobile Banking & Mobile Payment: Benchmarking das Melhores Práticas” que aconteceu no Meliá Jardim Europa. Primeiramente queria agradecer a Corpbus!Ness pelo convite. Segundo, antes de falar sobre as palestras, gostaria de dizer que todo o evento poderia ser resumido em uma premissa (segundom este humilde blogueiro): tantos os bancos, como as operadoras como as operadoras de cartão de crédito enxergam o Mobile Payment como uma onda iminente, porém, oque falta para ele decolar no Brasil é um modelo de negócio apropriado que faça com que todos os participantes fiquem felizes. Dito isso vamos as considerações sobre o evento:
PRIMEIRO DIA:
A primeira palestra que assisti foi o case “Real Celular Banking - Explorando o cenário de convergência nos serviços financeiros móveis através de uma estratégia de sucesso no Mobile Banking”, com Claudio Prado. O palestrante focou diversas vezes na idéia de que o telefone é mais um dos canais de interação com os clientes. Segundo ele, somente a partir de 2005 começou uma maior afinidade e propensão dos clientes do banco para uso de canais mobile. No Real Celular Banking, foram usados as tecnologias Java (MIDP 1.1) e GPRS, também, o banco fez um acordo com todas as operadoras, para, segundo Prado, não causar um sentimento de exclusão para clientes de operadoras que iriam ficar de fora da abrangência.
Alguns dados interessantes: no uso da ferramenta mobile, os principais serviços acessados são saldos e extratos, porém, 12% dos usuários já efetua pagamentos (Mobile Payment) através do sistema mobile. Outro ponto interessante, no meu ponto de vista, foi a ação tomada pelo banco, sendo que o alvo primordial foram os clientes com telefones high-end, somente agora a visão começa se extender para telefones low-end, com soluções de Mobile Banking através de SMS. O projeto foi testado em um case na PUC-SP, onde as lojas dentro da universidade aceitavam pagamento através de SMS. Um tópico falado na palestra, em que o Mobile Payment seria aplicado com êxito, seria o Mobile Parking. E, depois de pensar, concordo plenamente, pois não seria mais necessário as pessoas saírem correndo para renovarem seus tickets de estacionamento, poderiam fazer isso a distância, através do telefone celular. Concluindo, desta palestra, o ponto que mais marcou foi a idéia do banco em usar o telefone celular como mais um canal de interação com o usuário, como pagamento de títulos e negociação de taxas de CDBs por exemplo.
A segunda palestra foi o case “Foneshop - Como os adquirentes podem alavancar a adoção de mobile payments”, proferida por Ronaldo Varela, Diretor-Executivo de Marketing e Produtos. Bem, além da propaganda do produto, a palestra apresentou alguns pontos do Foneshop que eu não conhecia. A solução desenvolvida transforma o celular tanto no agente pagador (transformando o telefone em um cartão de crédito) como no agente receptor do pagamento (transformando o telefone celular um um P.O.S). Outro ponto interessante levantado pelo palestrante foi de que, fazerum aplicatico para Mobile Payment é fácil e rápido, o grande empecilho é verificar e tratar todas as partes delicadas que envovem o processo de pagamento, como segurança e modelo de negócio. Nessas duas palestras teve uma imensa discussão da utilização do telefone celular como meio de pagamento, que não creio ser útil falar aqui, porque, a um bom tempo discuto isso, como por exemplo, a conveniência, a praticidade, a instantaniedade e tudo mais no que se refere ao uso da telefonia celular.
A última palestra pela parte da manhã foi “A Convergência dos Serviços Financeiros para o Celular”, ministrada por Antranik Haroutiounian, Superintendente Executivo do Bradesco. Essa palestra não teve nada de muio interessante, porque abordou praticamente os mesmos assuntos anteriores, apenas achei interessante saber que o Bradesco já teve soluções de Home Banking para televisão, isso na década de 90 quando não se ouvia falar em TV Digital e, para vídeo games. Além disso, Antranik falou do projeto piloto que está sendo executado na rede Starbucks, onde, os clientes podem efetuar os pagamentos utilizando uma tecnologia sem contato da Visa chamada payWave.
A primeira palestra depois do almoço foi o case “Wappa para pagamento de Táxi: Como aplicar o conceito de pagamento pelo celular ao segmento de benefícios.” A Wappa é uma administradora de benefícios utiliza o celular como instrumento de pagamento. Bem, essa palestra foi claramente direcionada ao mercado, sendo assim, fiquei um pouco perdido. Porém, peguei alguns dados “técnicos” da palestra. o Wappa fez um estudo com as princcipais tecnologias para aplicativos mobile e, decidiu optar por uma solução 100% SMS. A empresa já conta com 37 empresas de táxi conveniadas e 7.500 táxis credenciados.
Antes de falar das próximas palestras, o leitor já deve ter percebido que eu venho falando cada vez menos das palestras. Isso acontece porque o evento era só sobre um tema e com o decorrer do tempo, as palestras iam falando de temas já abordados anteriormente, ficando meio repetitivas as vezes.
A palestra seguinte foi sobre a tecnologia NFC, na verdade foi uma mesa redonda chamada “NFC: A próxima fronteira do Mobile Payment”. O principal ponto aqui foi a intensa insistência na idéia de que o Mobile Payment vai ser estruturado sobre duas tecnologias, NFC e SMS. Não vou falar sobre NFC aqui, porque já discuti sobre a tecnologia aqui no blog e também não é o objetivo deste post, porém, passo três links: aqui, aqui e aqui.
A palestra mais interessante dentro da mesa redonda foi a do Bruno Benevento, Engenheiro de Aplicação de Produtos da NXP. Pra começo de conversa, não sabia que foram NXP (que fazia parte da Philips) e Sony, as criadoras do NFC. Além disso, a empresa prevê que entre 2012 e 2015, 70% dos telefones celulares tenham NFC. Além disso, foram faladas rapidamente de diversas aplicações do NFC em aplicações Mobile Payment no mundo inteiro.
Posteriormente, assisti a palestra “Conferindo segurança e autentificação aos processos de Mobile Payments e Mobile Banking com dispositivos Windows Mobile”. Essa palestra foi quase um resumo das outras, não acrescentou muito. Apenas confirmou oque já vinha percebendo nas outras palestras, o Mobile Payment está emperrando em encontrar um modelo que ofereça segurança ao usuário e que forneça um modelo de negócio satisfatório a todos os envolvidos. Uma frase do palestrante Julio Ramos, Gerente de Soluções Móveis da Microsoft me chamou a atenção, sobre os telefones móveis: “são mais uma tela na nossa vida digital”, ou seja, na tendência de tudo convergir e a tecnologia se tornar cada vez mais pervasiva e invisível.
A última palestra do dia foi “Mobile Banking: Implementando rede USSD no Brasil”, com Marcos Gomes, Gerente de Projetos da YAVOX. Essa palestra me serviu apenas para tomar conhecimento da tecnologia USSD (Unstructured Supplementary Service Data), que até então eu não conhecia.
SEGUNDO DIA
O Segundo dia de apresentações começou com mesa redonda da “Visão das Operadoras sobre os Serviços Financeiros Móveis e sua Evolução no Cenário Nacional”. A palestra mais significativa foi sobre o Oi-Paggo, com o CEO da Oi Roberto Rittes. Claramente o palestrante passou uma visão otimista da implementação do Mobile Payment no Brasil, falando que cartão de crédito é coisa do passado e que NFC e SMS é o caminho. Seu companheiro de mesa, Sérgio Guedes Messiano, da Brasil Telecom, apresentou uma visão mais moderada da implantação de ações de MObile Payment no Brasil. As palestras também tiveram momentos de repetição ao que tinha sido abordado no dia seguinte.
A palestra da Sprint Wireless não acrescentou nada, seguiu mais ou menos a mesma linha das outras palestras.
A palestra que assisti depois, “Banco do Brasil: Diversificando o segmento de oferta de produtos e serviços de Mobile Payments”, proferida por Raul Moreira, GerenteExecutivo - Cartões PF do Banco do Brasil foi mais proveitosa. Isso porque, o palestrante apresentou uma visão mais retrô e mais comedida. Por exemplo, Moreira não acredita que o Mobile Payment vai substituir os cartões de crédito, além de não ver Mobile Payment para pagamentos presenciais, serviria para pagamentos não presencial como táxi, atendimento a domicílio, pronta entrega etc. Ele apresentou alguns números impressionantes do uso de cartões de crédito: gira-se em torno de 390 bilhões de reais por ano no uso de cartões de crédito e crescimento em média de 25% ano ano.
A palestra seguinte, “Mobile Payment: A Visão do Banco Central”, por José Antonio Marciano, chefe do Deban, segui a mesma linha do seu precurssor, ou seja, uma visão mais comedida do uso do Mobile Payment. Ele apontou para um ponto que não foi tão debatido anteriormente, é preciso manter a confiança dos usuários neste novo meio de pagamento, senão não vai funcionar. Ele também falou sobre “conflito de interesses”. Mas oque mais gostei foram das alfinetadas que Marciano deu:
Ele falou que estaremos juntando oque há de pior no Brasil em questão de serviço, isso porque, quem lidera o ranking de empresa mais reclamadas no Procon são empresas de telefonia, bancos e operadoras de cartão de crédito. E realmente, entre as 20 empresas mais reclamadas em 2007, nem mais de 75% fazem parte de um dos três ramos citados anteriormente.
Ele também falou que o ideal seria eliminar os P.O.S e não colocar mais P.O.S na mesa dos lojistas. Falou que do contrário, o vendedor vai ter que pedir pro cliente qual celular ele possui, de qual operadora e de qual cartão, ou seja, segmentação completa.
Além disso, ele falou bastante sobre a questão de novos tipos de fraudes que o sistema poderia sofrer. Além disso, não lembro quais foram as palavras exatas que ele usou, mas ele falou sobre a falta de cooperação entre as empresas de telefonia, e operadoras (telefonia e cartão) para criar um modelo padrão que poderia ser usado por todo mundo.
Para encerra, assisti a palestra “Os Riscos Legais na Oferta de Serviços Financeiros Móveis”, por Rony Vainzof da Opice Blum Advogados Associados. A palestrante falou oque já sabia, a legislação não apresenta leis específicas para a telefonia. Agora, é impressionante ver um advogado palestrando, o poder que eles tem de apresentar seus argumentos chega assustar.
ANÁLISE GASTRONÔMICA DO EVENTO
Queria só deixar um parágrafo aqui falando das opções de coffe-break e almoço.
O almoço foi magnífico nos dois dias, e os coffe-breaks seguiram o mesmo tom.
Nesse quesito, o evento foi um dos melhores que já participei.
Resumindo, achei o evento bem interessante, apesar de achar que certas palestras falavam sobre a mesma coisa e não foram produtivas. Gostei de perceber que não é o mar de rosas que estava pensando, ou seja, a muita divergência para que Mobile Payment decole no Brasil, porém, uma coisa é certa, todas as empresas de telefonia, operadoras de cartões de créditos e bancos estão apostando nisso, seja com maior ou menor entusiasmo. Além disso, percebi que as ações de Mobile Payment existentes hoje não envolvem Java ME, Symbiam, Brew ou algo parecido, a maioria usa Wap 2.0 (Mobile Banking) ou SMS puro.
Bem, era isso, espero ter deixado uma visão bastante clara do que foi o evento..
Att.
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4 comentários
[…] madrugada.. Depois de ter publicado a algumas horas um post resumindo o evento Mobile Payment & Mobile Banking leio uma interessante notícia no Portal Terra, “Web e celular facilitam pedidos em rede de […]
Julho 26th, 2008 às 00:46
[…] Para quem se interessa sobre o mundo mobile e especialmente sobre mobile payment, veja a resenha do kweader Ricardo Ogliari no blog Mobilidade é Tudo. […]
Julho 30th, 2008 às 14:37
Muito bom resumo. Valeu.
Agosto 14th, 2008 às 10:53
[…] noite.. Há algum tempo, em Julho do ano passado, participei do evento Mobile Banking & Mobile Payment, onde tomei conhecimento do projeto PayWave. No post do ano passado escrevi o seguinte: A última […]
Agosto 31st, 2009 às 02:15
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